Depressão na Doença Renal Crônica

A Depressão é um transtorno psiquiátrico do humor que se caracteriza por tristeza duradoura, apatia, melancolia, alterações cognitivas, psicomotora e retraimento social levando a perda de prazer nas atividades diárias. Trazendo prejuízo à vida do indivíduo.

Em estudos recentes a depressão ainda é considerada a complicação psiquiátrica mais comum entre os pacientes renais crônicos.

Os pacientes portadores de Insuficiência Renal Crônica (IRC) podem apresentar comportamentos diferentes dos pacientes com outras doenças crônicas, dificultando sua aderência ao tratamento.

O tratamento requer adaptação e consequentemente isso gera estresse pela mudança na rotina e efeitos na dinâmica de toda a família. Estudam afirmam que mais de 50% dos pacientes que iniciam o tratamento apresentam sintomas que caracterizam a depressão no primeiro ano do diagnóstico da IRC e início da terapia dialítica.

A insuficiência renal crônica e o tratamento dialítico provocam alterações na rotina do paciente, aspectos que vão além do físico, envolvem questões psicológicas, familiares, sociais e até profissionais. Por isso a avaliação especializada é fundamental para se averiguar as condições e predisposições desses pacientes a doenças psicoemocionais.

Outro fator importante é a percepção que o indivíduo tem de si mesmo e da própria doença, pois esta exige mudanças de hábitos e de comportamentos além da ressignificação dos sentimentos que este tem pela vida.

O modo como cada paciente encara a doença renal pode dificultar sua comunicação com a equipe e gerar sentimentos ambivalentes e comportamentos destrutivos dificultando a evolução positiva do tratamento.

A investigação sobre as características do paciente é fundamental. Questiona-lo sua forma de ser e pensar antes e posterior à doença, início do tratamento, seus desejos, projetos de vida e seus conhecimentos sobre a patologia e prognóstico. É importante saber que cada paciente está vivenciando subjetivamente seu momento de vida, possui medos, angústias, necessita de apoio e suporte terapêutico.

O trabalho do Psicólogo no contexto dialítico deverá ser de amenizar os impactos emocionais advindos do tratamento, acolher o paciente e contribuir no processo de aceitação, colaborando na sua reestruturação psíquica, além de ajuda-lo a criar estratégias que promovam qualidade de vida e manutenção do tratamento.

Sandra Mara Rosa David

Psicóloga (CRP: 06/73035) da Clínica do Rim e Hipertensão (Unidades Taquaral, Centro Médico e Valinhos). Graduação em Psicologia pela Universidade São Francisco de Itatiba – SP. (2003). Pós Graduação em Geriatria pela FCM- Extecamp – Unicamp(2009).

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