Transplante Renal

O transplante renal é a principal modalidade de tratamento da doença renal crônica. Ela está associada a maior tempo de sobrevida e a recuperação da qualidade de vida dos pacientes portadores de doença renal crônica.

 

Esta modalidade consiste em implantar cirurgicamente um rim saudável em paciente com doença renal crônica avançada instalada de forma irreversível. O objetivo do tratamento é permitir que este órgão saudável desempenhe as funções não realizadas pelos rins do paciente receptor.

 

A liberação para o transplante renal passa por uma avaliação minuciosa realizada por equipe multiprofissional, que busca medir os riscos x benefícios de submeter o paciente a cirurgia de grande porte do transplante. Há inúmeras variáveis de risco que devem ser consideradas, tais:

  • Risco cardiovascular (arritmias, derrame e infarto no perioperatório);
  • Riscos infecciosos (condição vacinal e infecções prévias);
  • Riscos anatômicos (possíveis sangramentos e condições de implante do novo órgão).

Assim que ativado em lista após a avaliação da equipe multiprofissional, o momento cirúrgico fica condicionado ao surgimento de um doador falecido. A regulação é feita por uma central única de captação de órgão e tecidos numa lista regional e nacional que leva em consideração compatibilidade entre doador ofertado e receptores listados.

 

O tratamento pós-cirúrgico consiste em seguimento ambulatorial periódico com equipe médica especializada, e uso continuo de medicação oral. Os cuidados incluem atenção às infecções e ajuste de medicações para evitar rejeição do órgão implantado. Ambas as intercorrências tem potencial de encurtar o tempo de funcionalidade do novo órgão.

 

Chamamos a atenção para a modalidade de transplante renal com doadores relacionados (parentes). Nesta modalidade um parente até quarto grau saudável que deseje ser doador é também avaliado pela equipe multiprofissional. Após verificada a saúde do potencial doador ambos os pacientes são testados quanto a compatibilidade sanguínea e genética. Havendo liberação da equipe multiprofissional o procedimento é agendado e realizado em condições similares ao do transplante com doador falecido.

 

Os cuidados com os doadores também devem ser realizados durante toda a vida junto a equipe transplantadora, porém não acarretam risco de redução de sobrevida ou de morbidade quando mantidos os cuidados básicos orientados.

 

Por fim, é importante lembrar que o transplante renal envolve riscos e cuidados especializados. É um procedimento de alta complexidade técnica e o tratamento é sempre individualizado devido múltiplas variáveis de caráter imunológico e interpessoal. Portanto, a melhor escolha de tratamento para a doença renal crônica sempre deve ser discutida com o médico assistente de cada paciente.

 

Dr. Leonardo F. Camargo

CRM 137190 Médico nefrologista da clínica do rim e Hipertensão _ divisão de transplante renal, Mestre em clínica médica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp_2017), Membro da Sociedade Brasileira de Transplante de Órgãos Sólidos (ABTO).

Bibliografia

  1. Manual de transplante renal da Sociedade Brasileira de Órgãos Sólidos.
  2. Manual de cuidados pós transplante renal da Sociedade Brasileira de Órgãos Sólidos.

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